[RESENHA] Mentiras Que Confortam - Randy Susan Meyers / Editora Novo Conceito

10 agosto 2015





Sinopse: Cinco anos atrás... Tia apaixonou-se obsessivamente por um homem por quem nunca deveria ter se apaixonado. Quando engravidou, Nathan desapareceu, e ela entregou seu bebê para a adoção. Caroline adotou um bebê para agradar o marido. Agora ela questiona se está preparada para o papel de esposa e mãe. Juliette considerava sua vida perfeita: tinha um casamento sólido, dois lindos filhos e um negócio próspero. E então ela descobre o caso de Nathan. Ele prometeu que nunca a trairia novamente, e ela confiou nele.
Hoje... Tia ainda não superou o fim do seu caso com Nathan. Todos os anos ela recebe fotos de sua garotinha, e desta vez, em um impulso, decide enviar algumas delas para a casa do ex-amante. É Juliette quem abre o envelope. Ela nunca soube da existência da criança, e agora precisa desesperadamente descobrir quantas outras mentiras sustentaram o seu casamento até hoje.

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SURPREENDENTE, AINDA QUE DOLOROSO


Mentiras que Confortam, não é um livro sobre finais felizes, príncipes encantados, homens e mulheres perfeitos.  Não é um livro que te fará dar razão a um personagem, ou torcer pela felicidade de alguém especifico. Aqui, todos são culpados e de alguma forma precisam encontrar o meio termo entre lidar com a culpa e seguir em frente.

Quando recebi o livro e li a sinopse, acabei não dando muito valor a obra e comecei a ler sem grandes expectativas ou vontade mesmo. Entretanto bastou um capítulo e eu estava viciada, li até o capítulo três e já estava com o coração acelerado e a autora me conquistado completamente. O livro foi uma grande e maravilhosa surpresa.

O livro aborta temas polêmicos como: Traição, relacionamentos, relações familiares e MENTIRAS, mentiras estas que aparentemente confortam.

O ser humano esta destinado a falhar, a cometer erros durante toda sua vida, a serem imperfeitos. É da nossa natureza e infelizmente isso nunca vai mudar. O livro trás a tona os danos causados por um erro, TRAIÇÃO e as consequências deste erro para três famílias.
Perturbada, foi assim que me senti lendo o livro, mas não apenas pelo tema em si, mas porque o livro me fez refletir e sair da minha zona de conforto.

O livro conta a história de três famílias. Famílias estas unidas por um erro. Contada pelos olhos de três mulheres completamente diferentes, com um único ponto em comum, a força.

Tia a jovem sonhadora e romântica, a menina que se deixa levar pela fantasia do amor e acaba se envolvendo com um homem mais velho, experiente, bonito e inteligente, mas casado. Em nome do amor ela se submete em ser a outra por um ano, e então descobre que está grávida!

Juliette a esposa perfeita, a filha perfeita, a mãe amorosa, uma profissional exemplo, uma mulher forte. Casada com Nathan eles possuem uma relação invejável, regada a muito amor, mãe de dois filhos e preste a ter sua família abalada, após descobrir o caso do marido.

Caroline a profissional independente, muito bem casada e feliz, uma mulher que vive para seu trabalho e que está mais do que satisfeita com a sua vida. Até que o marido decide que é hora de terem filhos, aumentar a família e então, adoram.

E é ai que a vida destas três mulheres se entrelaçam, Caroline adota Savannah, filha de Tia com Nathan, marido de Juliette.

Como mencionei no inicio, nesta história não há apenas um culpado, alguém a quem possamos despejar toda a raiva e frustração, de alguma forma, todos tiveram sua parcela para que fosse criado esse emaranhado e teias de mentiras.

Tia foi à personagem por quem mais senti empatia ao longo do livro, de cara a julguei, afinal de contas, ela havia se envolvido com um homem sabendo que ele era casado, e ainda deu a filha para adoção. Só que ao longo da história vamos a conhecendo, Tia levou uma baita rasteira, ela realmente amava Nathan, quando ela descobre que está grávida ele a abandona e ainda manda que ela tire o bebê. Tia fica desesperada, ela não consegue lidar com o fato de ter uma filha que a fará lembrar-se do pai a cada olhar, ela não tem nada, não possui emprego, dinheiro, sua mãe morre, ela perdeu seu amor e ainda perde a filha. Uma decisão que se viu obrigada a tomar, pensando estar fazendo o melhor para a bebê. Foi então que minha revolta inicial pelo abandono da filha foi substituída por uma compreensão. Tia não conseguia enxergar além de toda a mágoa e abandono, ela se viu sozinha, Tia era vazia.

“Ser feliz à custa de alguém podia ter um preço alto. Tia imaginava ser julgada desde que Nathan e ela se beijaram pela primeira vez. Sempre esperava ser punida por estar apaixonada e, na verdade, acreditava que, quaisquer que fossem as consequências, ela as merecia...”

Juliette nunca esperou que o marido a traísse, ela o havia colocado em um pedestal, sua vida era aparentemente perfeita, seu marido imaculado demais para cometer um deslize deste. Mas quando Nathan chega até ela e confessa sua traição ela perde o chão, mas ainda assim o perdoa. Quando tudo parece perfeito, quando as feridas aparentam estar cicatrizadas, Juliette vê seu mundo voltar a desabar, cinco anos após a descoberta da traição, ela descobre que o erro do marido teve um fruto, uma menininha chamada Savannah, que agora possui cinco anos de idade. Os fantasmas estão de volta, a dor, a decepção e mágoa também, ela precisa lidar com o fato de que o marido tem outra filha e que ele nunca contou isso a ela, ou seja, mais mentiras, agora Juliette precisa tomar uma decisão, sua família feliz não existe mais. De todas as personagens Juliette foi a que mais me emocionou, por sua narrativa tocante e sensível, por toda a dor que esta mulher suportou.

“Quantas vezes na vida tentamos enganar a nós mesmos?”

Caroline caiu de paraquedas na função de mãe, seu marido queria um filho, ela não, mas ainda assim eles adotam uma menininha. Caroline não sabe ser mãe, ela é focada demais, séria demais, uma mulher independente, eu diria até que fria, mas ao longo do caminho você vai descobrindo que ela ama Savannah de verdade, ela só não sabe como lidar com a criança, como desempenhar o papel de mãe, como conseguir conciliar sua vida nova sem ter que abrir mãe de quem ela é. Ela foi à personagem que demorei mais a compreender, com quem menos senti qualquer reação, mas ao final do livro eu a entendi. Caroline ama a seu modo, do seu jeito, mas ainda assim ama.

“Pensou que, se não falasse nada, silenciaria a dor do coração.”

Nathan tinha tudo para ser o safado, o sem-vergonha, o cretino da história, mas até ele em algum momento me conquistou. Ele é um homem que cometeu um erro, que tomou decisões erradas, e com isso magoou não apenas uma pessoa, mas todos. Ele se arrependeu de ter traído Juliette, se arrependeu da forma como tratou Tia, mas a questão é que arrependimento nem sempre é suficiente não é?

A mentira é como um círculo vicioso, ela nunca está sozinha, você sempre vai precisar de uma nova mentira para ser capaz de encobrir a anterior, por isso nunca é apenas uma mentira e sim uma bola de neve. A verdade é que, a mentira nunca conforta, ela apenas te dá uma falsa ilusão de paz, um relaxamento momentâneo de que o problema foi solucionado, mas ela sempre voltará para te atormentar. A mentira sempre será descoberta, pode se passar horas, meses ou até anos, mas em algum momento a verdade vem à tona, e você precisará lidar com as consequências.

A trama é muito bem construída, inteligente e explorada, os personagens são cativantes, a leitura é viciante e fluida eu realmente não esperava que o enredo se desenrolasse do modo como aconteceu, por isso me surpreendeu e o final me deixou satisfeita.

Eu gosto muito de histórias que se assemelham a realidade. Enredos que não possuem medo de serem ousados e desafiadores, por isso Mentiram que Confortam me ganhou. Nunca havia lido nada da autora Randy Susan Meyers, e já posso dizer com certeza que passei a ser uma admiradora do seu trabalho, ela soube criar uma trama muito bem elaborada, fluida e envolvente, tratando de temas complicados e relacionados à relações familiares com sabedoria e sensibilidade.

Espero que possam ter a oportunidade de ler este livro e que assim como eu sejam tocados e obrigados a refletir.




Até a próxima! Bye.

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