RESENHA: O Homem de Lata - Sarah Winman | Faro Editorial



Vou iniciar essa resenha já me desculpando logo de cara. Estou enfrentando um momento complicado e isso tem me causado um bloqueio terrível, não tenho conseguido ler com a frequência de sempre e nem absorvido as histórias como elas merecem. Mesmo assim tenho lutado e me obrigado a honrar com meus compromissos e responsabilidades aqui com os meus parceiros e leitores. Entretanto, isso acaba comprometendo um pouco a qualidade e diria até que meu julgamento sobre as obras. Não irei entrar em detalhes sobre o que estou passando, pois não é o foco aqui, mas pedirei que, por favor, tentem compreender e me enviar energias positivas e tenham em mente que minha experiência de leitura não é uma verdade absoluta e que nosso julgamento se molda pelo ambiente em que vivemos, pela nossa educação e como estamos nos sentindo no momento da leitura, portanto ele pode sim mudar de um tempo para outro.

Dei essa explicação toda, pois sinto que pequei com a leitura de O HOMEM DE LATA. Aqui temos um enredo reflexivo, que explora várias vertentes do amor. Que trabalha o primeiro amor de uma maneira muito pura e inocente, que aborda as consequências de um relacionamento abusivo, a sua fragilidade e angustia. Que fala de relacionamentos familiares, do amor de mãe, da intensidade das verdadeiras amizades, do impacto da solidão. De sonhos interrompidos, sacrifícios, laços que vão muito além do sangue, de arte, de perder, de sentir, viver. É uma história intensa, que aflora emoções, que impacta, que trás muita veracidade, mas que infelizmente não me conquistou por completo.

"Tive paixões, tive amantes, tive orgasmos. Minha trilogia do desejo, como eu gostava de dizer, mas nenhum grande amor depois dele, não pra valer. Amor e sexo foram separados por um grande rio, um rio que o barqueiro se recusava a atravessar."

O HOMEM DE LATA narra à história de dois jovens – Michael e Ellis -, que acabam por terem seus caminhos cruzados pelos acasos e perdas da vida, que encontram um no outro apoio, segurança, possibilidades. Dois jovens muito diferentes um do outro, com personalidades, anseios e desejos opostos, mas que se equilibram com muita doçura e respeito. São eles os responsáveis por narrarem à história, cada um em um momento diferente, e é principalmente ai que as diferenças ficam tão evidentes e percebemos o verdadeiro impacto desta amizade na vida de ambos. Enquanto que na primeira parte, que é narrada pelo Ellis temos uma narrativa mais densa, melancólica, na segunda que é narrada pelo Michael encontramos uma narrativa mais crua, voraz, com respostas que preenchem as lacunas deixadas por Ellis. Uma obra de reflexões poderosas, que nos leva por uma viagem cheia de memórias e lembranças, permeada por incertezas, busca pela felicidade e que o realmente é importante. É um livro para ser sentido, lido com carinho.

"Mas era minha humanidade que me levava a procurar, só isso. Que nos leva a todos. A simples necessidade de pertencer a algum lugar."

Disse que pequei com a leitura porque a emoção está ali, a obra é cheia de memórias, fala de assuntos importantes, é carregado de sentimento, descobertas, aventuras, mas não consegui me conectar com os personagens, achei por diversas vezes a leitura cansativa, como se algo estivesse faltando. Talvez meu problema com a leitura seja a escrita da autora, o modo como ela dispõe os diálogos, o vai e volta das memórias... Enfim, algo na maneira que a narrativa foi construída me incomodou muito. Mas ainda assim, é preciso ressaltar a sensibilidade na construção de todo o enredo, os cenários que foram muito bem explorados, e os personagens com características e problemas tão reais. A delicadeza de um romance que vai muito além disto.

“(...) A vida muda de um jeito que não conseguimos prever. Muros vêm abaixo e pessoas são libertadas. Espere e você verá.”

Como mencionei no início desta, estou em um momento complicado que tem me prejudicado e muito como leitora, por essa razão pretendo reler a obra no futuro, pois sinto que deixei algo passar e que autossabotei minha experiência de leitura.

Recomendo a leitura a todos, pois O HOMEM DE LATA é um livro que tem muito a entregar. E que você tenha em mente que é uma obra que não oculta suas verdades e que pode te confrontar de alguma maneira. Mais que ler, é sentir. Viva essa experiência.

A Faro Editorial preciso deixar meus parabéns. Capa linda, diagramação simples e impecável. Um livro rico em detalhes.



O HOMEM DE LATA - Sarah Winman

Sinopse: “Eu sabia que estava perdendo o controle do meu coração. Estava apaixonado. E era o homem mais feliz da terra.”O mágico de oz Em 1963, Ellis e Michael eram dois garotos de doze anos que se tornaram grandes amigos. Durante muito tempo, sempre foram apenas os dois, andando pelas ruas de Oxford, um ensinando ao outro coisas como nadar, descobrir autores e livros e a esquivar-se dos punhos de seus pais dominadores. Até que um dia algo muito maior que uma grande amizade cresce entre eles. Mas então, avançamos cerca de uma década nesta história e encontramos Ellis, agora casado com Annie, e Michael não está mais por perto. O que leva à pergunta: o que aconteceu nos anos que se seguiram? Esta é quase uma história de amor. Mas seria muito simples defini-la assim.

Ficha técnica:
Romance | Faro Editorial | 2018 | 1º Edição | 160 Páginas | Cortesia | Classificação: 3/5 | SKOOB 

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Até a próxima! Bye.

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1 comentários

  1. Olá!
    Essas coisas acontecem mesmo e alguns dos nossos hábitos e hobbies acabam sendo prejudicados. Muitas energias positivas para você e pode ter certeza que tudo vai se acertar com o tempo!
    Achei interessante a premissa do livro, não conhecia e pretendo colocar na lista. Talvez quando você reler a leitura seja melhor :)
    Beijos!

    Books & Impressions

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