RESENHA: Serafina e a Capa Preta, Serafina, Livro 1 - Robert Beatty | Editora Valentina


Serafina é uma jovem incomum. Ela não é como as meninas de sua idade, seu corpo possui algumas peculiaridades e sua visão noturna é ótima. Ela mora escondida no porão da mansão Biltmore junto com o seu pai. Um homem solitário que trabalha com a manutenção das máquinas da casa. Já que a mansão é a única da região com tecnologia tão avançada. Vale ressaltar que o ano em que a história se passa é 1899.

Cheia de sonhos, ingenuidade e uma mente criativa, Serafina sempre foi ensinada a se manter invisível, a jamais revelar sua existência e o fato de que mora na mansão, pois caso isso viesse à tona, eles seriam mandados embora sem ter onde ficar. Apesar de muito obediente, Serafina tem um espirito aventureiro, uma vontade incontrolável de desbravar o mundo, de desvendar cada canto da mansão, de explorar a floresta que existe ao seu redor. Ela que viver sem limites, livre de amarras, fazer amigos e sonhar acordada com a mãe que jamais conheceu. Mas engana-se quem pensa que ela não tem nenhuma ocupação, Serafina é a C.O.R. caçadora oficial de ratos e é muito eficiente no desempenho de sua função, e é em meio ao cumprimento de uma de suas missões que se depara com algo muito estranho e assustador, um homem vestindo uma capa preta arrasta uma menina loira junto com ele e do nada algo terrível acontece.

“Ela os observava a todos, mas nenhum deles jamais a via — nem mesmo o cachorro. Ultimamente vinha imaginando o que exatamente aconteceria se alguém a visse. E se o garoto a visse de relance? O que ela faria? E se o cão a perseguisse? Será que ela conseguiria subir em uma árvore a tempo? Às vezes gostava de imaginar o que diria se encontrasse a Sra. Vanderbilt cara a cara. Olá Sra. V. Eu caço os ratos para a senhora. A senhora prefere que eu os mate ou apenas enxote? Às vezes ela sonhava em usar vestidos vistosos e fitas no cabelo e sapatos lustrosos. E às vezes, mas só às vezes, desejava não apenas ouvir as pessoas ao redor em segredo, mas também falar com elas.  Não apenas vê-las, mas também ser vista.”

Ao presenciar a cena, Serafina não tem outra opção a não ser fugir e se esconder. No dia seguinte apesar de saber que deve se manter oculta, sua consciência não a deixa em paz, e ela sente em seu coração que precisa contar a alguém o que viu, que precisa ajudar aquela garotinha. Seu pai não lhe dá muita atenção, a situação da mansão anda um caos, e é aí que bravamente a pequena vai em busca de alguém para escutá-la. O problema é que somente sua palavra não está sendo o suficiente, mas quando mais crianças começam a sumir sem deixar rastros, Serafina se depara com o jovem Braeden, sobrinho dos Vanderbilt, proprietários da mansão e eles partem em busca de respostas e solução para esse grande mistério. Quem será o homem da capa preta? E por que ele só rapta crianças? A aventura está apenas começando.

“— Mas por quê?!? — Serafina exclamou, indignada. — Isso é horrível! Isso é muito cruel! — Só porque alguma coisa é diferente, não quer dizer que você simplesmente tenha o direito de jogar fora...”

Apaixonante e viciante. Serafina é o tipo de personagem fascinante, cheia de vida, muito corajosa, leal, inteligente, consciente do mundo em que habita, da sua posição social e dos muitos desafios que terá que enfrentar. Destemida vai em busca do que acredita, possui senso de justiça e está mais do que pronta para enfrentar o desconhecido.

“ — Uma sombra, uma assombração. Sabe, um fantasma. O Homem da Capa Preta pode ser algum tipo de espectro que sai da floresta à noite. Mas eu acho que ele é um simples mortal. Acho que é um dos cavalheiros de Biltmore.”

Amei que o autor trouxe para o enredo uma amizade tão pura. Braeden e Serafina são opostos em tudo, na criação, no nível social, mas estão ambos desesperados em busca de alguém que os compreenda, que os aceite como são e que os ame assim. Ambos estão passando por um momento delicado, cheio de questionamentos e necessitando se encontrar e encontrar seu espaço no mundo. E o autor foi muito feliz na criação desse relacionamento. Assim como, na abordagem de relações familiares, Serafina e o Pai possuem um laço muito bonito e diria até que emocionante – não posso me estender muito, pois seria um grande spoiler -, assim como Braeden e os tios.

“Agora sabia que havia forças mais sombrias no mundo, do que ela jamais imaginara, e outras mais luminosas também. Não sabia exatamente onde ela se encaixava naquilo tudo, ou em qual papel atuaria, mas agora sabia que era parte daquilo, parte do mundo, e não apenas uma observadora.”

SERAFINA E A CAPA PRETA poderia ser apenas um livro juvenil, mas não é. Eu o recomendo para todas as idades. Com uma narrativa leve, envolvente, cheia de mistérios, reviravoltas e muita ação, a obra te leva por uma verdadeira viagem. Além de promover reflexões valiosas e interessantes a cerca da vida, das escolhas e da maneira como as fazemos e aceitamos, o livro emociona, diverte e desperta nossa imaginação. Com muito mistério e fantasia é impossível não se apaixonar e ansiar por mais das aventuras de Serafina.

Não posso falar muito da história em si, pois o delicioso é ler e desbravar seus mistérios ao longo das páginas. Mas posso garantir que realmente é uma história muito bonita e uma grata surpresa. Independente da sua idade, se joga na leitura, se deixe envolver pela leveza de uma criança simples, cheia de sonhos e imaginação, que tanto quer desbravar o mundo e se encontrar nele. Se permita se aventurar, explorar o lado lúdico de sua mente e voltar a ser criança.

Preciso falar ainda do quanto amei que o autor tenha criado personagens jovens e lhes atribuído características da idade, Serafina e Braeden têm doze anos e se comportam como jovens dessa idade, o relacionamento entre eles é de pura amizade, assim como seus anseios, medos e inseguranças. Não houve uma tentativa de desconstruir essa imagem, de levar em outras direções e é justamente isso que torna a obra tão especial.



Preciso dizer o quanto a CAPA está linda, dando voz ao enredo, totalmente coerente com a trama. A diagramação está simples, mas muito bem-feita, delicada. O conjunto da obra está incrível, e o acabamento e a qualidade do material se tornam apenas um bônus a mais. Parabéns, Editora Valentina.

CURIOSIDADES:

A mansão Biltmore existe de verdade, ela está localizada na cidade de Asheville na Carolina do Norte, e é apresentada como a maior casa dos Estados Unidos, a verdade é que ela mais parece um castelo, com 250 cômodos, distribuídos em 34 quartos, 43 banheiros, 65 lareiras, além de suntuosas salas com grandes janelas que permite se apreciar a paisagem do lado de fora da mansão. Tudo muito luxuoso e extravagante. A propriedade levou quatro anos para ficar pronta e foi projetada e pensada meticulosamente.



Podem surtar, a residência está aberta para visitação desde 1930, ou seja, você pode ir até lá e conhecer o cenário desta incrível história – Para saber mais – CLIQUE AQUI.


BOOK TRAILER




SERAFINA E A CAPA PRETA - Robert Beatty

Sinopse: Serafina nunca teve motivos para desobedecer ao seu pai e se aventurar além da Mansão Biltmore. Há espaço de sobra para ser explorado naquela casa imensa, embora ela precise tomar cuidado para jamais ser vista. Nenhum dos ricaços lá de cima sabe da existência de Serafina; ela e o pai, o responsável pela manutenção das máquinas, moram secretamente no porão desde que a garota se entende por gente. Mas quando as crianças da propriedade começam a desaparecer, somente Serafina sabe quem é o culpado: um homem aterrorizante, vestido com uma capa preta, que espreita pelos corredores de Biltmore à noite. Após ela própria ter conseguido – depois de uma incrível disputa de habilidades – escapar do vilão, Serafina arriscará tudo ao unir forças com Braeden Vanderbilt, o jovem sobrinho dos donos de Biltmore. Braeden e Serafina deverão descobrir a verdadeira identidade do Homem da Capa Preta antes que todas as crianças... A busca de Serafina a levará ao interior da mesma floresta que tanto aprendeu a temer. Lá, descobrirá um esquecido legado de magia, que tem relação com a sua própria origem. Para salvar as crianças, Serafina deverá procurar as respostas que solucionarão o quebra-cabeça do seu passado.
Ficha técnica:
Ficção Infanto-juvenil, Suspense | Editora Valentina | 2018 | 1º Edição | 240 páginas | Cortesia | Classificação: 4/5 | SKOOB
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Até a próxima! Bye.

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