Perto o Bastante para Tocar – Colleen Oakley | Bertrand Brasil

Está resenha foi postada originalmente no Blog amigo ESTANTE DIAGONAL, no qual sou resenhista.

Jubilee possui uma condição médica rara, ela é alérgica a pessoas, ao seu toque mais especificamente. Uma doença que demorou para ser diagnosticada e que quando detectada passou a machucar ainda mais. A jovem se viu levando uma vida difícil, vista como uma esquisita, por vezes como um desafio e os anos que deveriam ter sido marcados por experiências lindas, foram se transformando em pesadelos.

Existem livros que chegam na hora perfeita para tocar diretamente no nosso coração. Histórias tão recheadas de significado e reflexões que se tornam mais que uma mera leitura. Livros capazes de alcançar o leitor aqui deste lado e abraçá-lo. PERTO O BASTANTE PARA TOCAR é exatamente assim.

“E acontece que nem todos os presentes são feitos para durar para sempre.”

Jubilee é inteligente, uma grande curiosa e entusiasta, após um evento assustador no ensino médio aos dezessete anos tomou uma difícil decisão, algo que talvez não tenha sido sua melhor escolha, mas que pareceu a única possível para o momento. Ela se escondeu do mundo. Trancou-se em sua casa por nove anos, sem jamais colocar os pés para fora. Toda sua vida foi construída via internet, seu contato com o mundo exterior cortado e para ela tudo bem, era assim que deveria ser e pronto e é quando outra reviravolta acontece e ela precisa mudar toda sua rotina e maneira de viver mais uma vez. Nada aqui é fácil, e os desafios estão apenas começando e vê-la desbravar cada obstáculo é LINDO.

Quando ela sai de sua zona de conforto e precisa encarar o desafio de ir além, é angustiante, tememos a cada segundo, mesmo sem perceber passamos a sentir suas inseguranças, aflições e dúvidas. E talvez isso ocorra devido a carga emocional, as muitas reflexões e a maneira primorosa com a qual os personagens foram criados, não apenas Jubilee foi desenvolvida com maestria, tendo cada diálogo meticulosamente bem planejado, mas também Erik que surge na trama de maneira intensa, que carrega problemas cotidianos, reais – divórcio, filha adolescente e um filho adotado. E é aí que conhecemos Aja, um garotinho surpreendente que mesmo tendo pouca voz na narrativa consegue embaralhar nossas emoções e nos tocar.

“(...) Tiro os olhos dela, apago o abajur e fico deitada no escuro, mas, à medida que o sono toma conta de mim, a verdade entra no meu cérebro. A verdade de que talvez algumas coisas sejam maiores do que o medo da morte. Como o medo de nunca mais ser olhado do modo como Eric estava olhando para mim. Como, durante aquele segundo inteiro, fui a única pessoa que importava.”

Eu não sei como você interpretou essa leitura, mas para mim ele foi muito mais que um romance, mais que uma história sobre uma jovem enfrentando uma alergia que a distância das pessoas e do mundo no qual está inserida. Foi um grito, um clamor da autora para atrair nossa atenção sobre a redoma que temos construído ao nosso redor. Em como temos nos distanciados cada vez mais uns dos outros, deixando de manter relacionamentos físicos e investido nos virtuais.


É fácil não se importar, não sentir falta e ignorar quando se tem algo em abundância, mas e se isso te faltar, se for arrancado de suas mãos, se te for negado, proibido? A vida é uma caixinha de surpresas, passa tão rápido, talvez a autora esteja nos convidando a acordar, nos desafiando a sair para fora de nossas caixas e aprender verdadeiramente a viver.

“(...) sua presença é palpável. É como o ar: à minha volta, mas impossível de tocar.”

Colleen Oakley me surpreendeu absurdamente, seu enredo é fluido, muito bem pensando e planejado, nenhuma palavra aqui é jogada ao acaso, tudo se encaixa. Ela foge do convencional e nos oferece um desfecho agridoce, que nos deixa sem saber exatamente como receber aquilo e apesar de termos nossos corações em conflito, nos encantamos e entendemos que tudo bem, que a vida é aquilo.

“(...) mais do que isso, você se tornou, de alguma forma, uma luz que brilha no túnel escuro e estreito que tem sido a minha vida nesses últimos anos. E não quero deixa-la.”

Eu não sei como te convencer a ler este livro. Sendo honesta nem sei como explicar o quanto ele é especial, só posso afirmar que AMEI, sorri muito ao longo das páginas, mas também me emocionei absurdamente. E se não fosse por seu enredo incrível, teria me apaixonado pelas muitas referências literárias, várias obras que foram mencionadas ao longo dos capítulos e tiveram vários trechos analisados com carinho.

PERTO O BASTANTE PARA TOCAR é uma experiência única de leitura, que irá te tocar de alguma maneira, que irá te fazer refletir e se encantar com suas muitas reviravoltas. Tudo sobre esse livro é intenso, delicado e arrebatador e com certeza vai muito além de minhas palavras. LEIA!

Parabéns a Bertrand Brasil pela edição linda.

PERTO O BASTANTE PARA TOCAR

Sinopse: Uma jovem alérgica ao toque de humanos. Da autora de Antes de partir Jubilee Jenkins é uma jovem com uma condição médica rara: ela é alérgica ao toque de outros humanos. Depois de uma humilhante experiência de quase morte na escola, Jubilee tornou-se uma reclusa, vivendo os últimos nove anos nos confins da pequena Nova Jersey, na casa que sua mãe deixou quando fugiu com um empresário de Long Island. Mas agora, sua mãe está morta, e, sem seu apoio financeiro, Jubilee é forçada a sair de casa e encarar o mundo do qual tem se escondido ― e as pessoas que o habitam. Uma dessas pessoas é Eric Keegan, um homem que acabou de se mudar para a cidade por causa do seu trabalho e que está lutando para descobrir como sua vida saiu dos trilhos. Até que um dia, ele conhece uma mulher misteriosa chamada Jubilee...
Ficha técnica:
Romance | Colleen Oakley | Bertrand Brasil | 2017 | 1º Edição | 350 Páginas | Tradução: Valéria Lamim | Cortesia blog Amigo | Classificação: 5/5 | Onde encontrar: SKOOB - AMAZON - SUBMARINO - AMERICANAS

Até a próxima! Bye.


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