A Guerra que Salvou a Minha Vida – Kimberly Brubaker Bradley | DarkSide Books ( #DesempilhaAL ).


É muito gratificante terminar uma leitura com a sensação de que valeu cada palavra, cada minuto, cada segundo na companhia daquele livro. Que de alguma forma você aprendeu algo, cresceu, refletiu, mais que leu... sentiu. E A GUERRA QUE SALVOU A MINHA VIDA, é exatamente este livro, com uma narrativa delicada, sensível, crua e muito perspicaz, somos transportados para o meio da segunda guerra mundial, através dos olhos de uma menina de dez anos, que ainda que tenha pouca idade, já viveu e presenciou muito mais do que muitos adultos um dia irão viver, o que significa que ela desenvolveu uma maturidade emocional muito grande, mas que duela com a inocência e pureza característica de uma criança.

Ada cresceu presa no minúsculo apartamento em que mora com a mãe e o irmão, ela nunca esteve do lado de fora, e tudo que conhece sobre o mundo exterior é de espionar pela janela ou através dos olhos do irmãozinho. Nascida com o pé torto, sempre foi tratada como aleijada, deixada de lado, maltratada, oprimida, violentada física e emocionalmente, castigada com crueldade, por uma mãe que só sentia vergonha e repulsa pela filha. Mas em seu coração a determinação e a vontade de cuidar do irmão, sempre gritaram mais alto, fazendo com que lutasse contra as dores insuportáveis, deixasse de se arrastar pelo pequeno espaço que dispunha e começasse a andar. Pequeno ato que para muitos poderia parecer pouco, mas que pra ela significou uma virada na vida.

“No fim das contas, foi a combinação das duas guerras – o fim da minha pequena guerra conta Jamie e o início da grande guerra, a do Hitler – que me libertou.”

A segunda guerra está a todo vapor, ameaçando se estender, fazendo com que os pais sintam a necessidade de enviar seus filhos para o interior. A cidade está sendo evacuada, se negando a ficar longe do irmão, Ada foge com ele a caminho dos ônibus e ao chegar naquele novo lugar, mais um problema, ela e o irmão não são acolhidos por nenhuma das famílias, justamente por serem os mais mal vestidos, desnutridos e desgrenhados, restando a uma mulher solitária a tarefa de abrigá-los. E é aí que toda a jornada de fato acontece. Suzan ainda está remoendo a perda de uma pessoa especial em sua vida, está acostumada a se manter sozinha, ela não quer e não sabe como cuidar de crianças, principalmente duas tão maltratadas e assustadas como as que estão em sua porta. E ainda assim se revela uma mulher de coração generoso, muito mais maternal do que a própria mãe das crianças.



A GUERRA QUE SALVOU A MINHA VIDA, é uma história sobre transformação, aceitação, amadurecimento, crescimento, AMOR ao próximo, enfrentar os próprios medos e limitações. Aqui ao contrário do que sempre lemos, e do que é regra quando se fala de livros sobre a guerra, que diz respeito as dores, tristezas, perdas, mortes, temos um desfecho de esperança, de alguém que em meio ao caos e escuridão, encontrou o seu pontinho de luz, e que fique bem claro, muito merecido. Ada não tinha a menor noção de mundo quando se muda para a casa da Suzan, tudo que ela conhecia era o pequeno apartamento onde morava e tudo que viveu ali dentro, então até a grama é uma novidade pra ela, muitas palavras ela desconhece por isso tem dificuldade em se comunicar totalmente com as pessoas, ela não compreende o que estão querendo dizer. Ter alguém se importando, oferecendo carinho, segurança e coisas básicas a assustam e a deixam em pânico, ela nunca teve nada disso, não sabe como reagir, como aceitar e por vezes acaba se tornando arisca e arredia. Já imaginou o que anos de exposição a falta de amor, tendo sua infância roubada, fome, violência, é capaz de fazer com a cabeça de uma criança? Justamente... é apenas horrível só de imaginar toda a situação.

“Eu não sentia raiva. Sentia tristeza. A tristeza era tanta, que eu me perdia nela.”

Que livro dolorosamente lindo. Que história sensível e delicada, forte, mas que se desabrocha de maneira tão única. Ada é o tipo de personagem que encanta qualquer idade, que tem muito para passar, fazer refletir, uma jovem muito determinada, por vezes teimosa, mas que está apenas buscando compreender seu lugar no mundo, lutando contra o turbilhão de emoções que estão em conflitos em sua cabeça. Se tiverem a oportunidade, apenas LEIAM, vale muito a pena.

Kimberly possui uma narrativa envolvente, fácil e rápida, que encanta e prende o leitor desde o primeiro parágrafo. Os personagens são muito bem construídos e trabalhados de modo que possamos compreender suas angustias, medos e aflições. O enredo é muito sensível, criado com responsabilidade, sem exageros ou excessos. É impossível se sentir indiferente quanto ao que a autora está entregando.

E antes de me despedir, preciso exaltar a beleza da edição da editora DarkSide Books, apenas maravilhosa. Capa linda, condizente com o enredo, diagramação simples, porém impecável, detalhes que fazem toda a diferença. Parabéns.

Então é isso, fica aqui minha indicação, vou ficar torcendo para que leiam e sejam tocados assim como eu fui. Não façam como eu e espere demais para ler, gente que arrependimento de não ter lido o livro antes, e com certeza já irei emendar a leitura do segundo livro da duologia – A GUERRA QUE ME ENSINOU A VIVER.


A Guerra que Salvou a Minha Vida.


Sinopse: A GUERRA QUE SALVOU A MINHA VIDA é um daqueles romances que você lê com um nó no peito, sorrisos no rosto e lágrimas nos olhos entre um parágrafo e outro. Uma obra sobre as muitas batalhas que precisamos vencer para conquistar um lugar no mundo.Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando.Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor.Kimberly Brubaker Bradley consegue ir muito além do que se convencionou chamar “história de superação”. Seu livro é um registro emocional e historicamente preciso sobre a Segunda Guerra Mundial. E de como os grandes conflitos armados afetam a vida de milhões de inocentes, mesmo longe dos campos de batalha. No caso da pequena Ada, a guerra começou dentro de casa.Essa é uma das belas surpresas do livro: mostrar a guerra pelos olhos de uma menina, e não pelo ponto de vista de um soldado, que enfrenta a fome e a necessidade de abandonar seu lar. Assim como a protagonista, milhares de crianças precisaram deixar a família em Londres na esperança de escapar dos horrores dos bombardeios.Combinando a ternura de Em Algum Lugar Nas Estrelas, outro título da coleção DarkLove, com a realidade angustiante de O Diário de Anne Frank, A GUERRA QUE SALVOU A MINHA VIDA apresenta uma perspectiva da Segunda Guerra Mundial vista pelos olhos de uma menina que se transforma em refugiada no seu próprio país. Mais uma oportunidade perfeita para emocionar corações de todas as idades e relembrar os valores do companheirismo e da amizade em todos os momentos da nossa vida. Vencedor do Newbery Honor Award, primeiro lugar na lista do New York Times e adotado em diversas escolas nos Estados Unidos.
Ficha técnica:
Drama, Jovem adulto | Kimberly Brubaker Bradley | DarkSide Books | 2017 | 1º Edição | 240 Páginas | Tradução: Mariana Serpa Vollmer | Classificação: 5/5 | Onde encontrar: SKOOBAMAZONSUBMARINO


Até a próxima! Bye.

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