Pistas Submersas – Maria Adolfsson | Faro Editorial (Doggerland, Vol. 1)

Karen Eiken é uma mulher forte e muito determinada que sempre buscou provar sua competência e valor em um meio dominado por homens; a delegacia de polícia de Doggerland. Acostumada com machismo e misoginia, Karen não se abala facilmente, e nem se deixa atingir por essas coisas e segue cumprindo o seu dever com responsabilidade e respostas ácidas. Anos trabalhando, construindo uma reputação para acordar na cama de um hotel ao lado de seu chefe, após o grande festival das ostras que rendeu uma bela ressaca não apenas alcoólica quanto moral. Culpa e raiva duelam dentro dela, mas Karen faz o que precisa fazer – sai de fininho, antes que Jounas Smeed, acorde.

Já em casa uma ligação a assombra. Ela precisa ir para a cena de um crime próxima a sua casa, uma mulher foi morta, encontrada quase desfigurada e Karen terá que assumir/liderar a investigação, pois a vítima é Susanne Smeed, a ex-mulher do Jounas, ou seja, o que a torna o único álibi de seu chefe. Mas essa informação ela não pretende contar a ninguém.

“Uma vida diferente, Karen reflete, era provavelmente tudo o que todos eles queriam. O que eles sem dúvida buscavam era o que todas as pessoas buscavam: uma vida melhor, coletividade e felicidade, por mais que idealizassem essas coisas. E eles haviam viajado uma distancia muito longa, arriscando tudo para encontrar o que procuravam. Tiveram coragem e disposição para criar a existência que queriam.”

Em meio a uma investigação que inicialmente parece não ter suspeitos ou motivos aparente, Karen precisa se desdobrar enquanto os dias passam rapidamente e nem o departamento parece acreditar em sua capacidade de encontrar pistas e estabelecer um caso. É então, que ela opta por seguir uma linha alternativa, um caminho ao qual todos acreditam não levar a lugar nenhum, mas Karen insiste e se depara com um emaranhado de segredos, mentiras, traições, ódio e vingança, que podem ou não mudar tudo.

PISTAS SUBMERSAS, é o primeiro livro da série DOGGERLAND, um cenário que foi criado pela autora – embora se tenha embasamento que um dia tenha existido -, para a ambientação de seus enredos. Então, é uma cidade “ficcional” e, portanto, a autora gasta um tempo nos apresentando este lugar e sua história o que pode deixar a leitura inicialmente um pouco mais lenta, mas não se preocupe a narrativa tem uma crescente e vai se tornando instigante com o passar dos capítulos. Como mencionei acima, aqui nos deparamos com um crime brutal sem suspeitos ou pistas aparentes, o que torna a investigação um tiro no escuro. E nós vamos acompanhando a progressão da investigação junto com a detetive Karen. A autora vai jogando as peças aleatoriamente e nós as recebemos junto com os personagens portanto acabamos passando parte da leitura no escuro assim como eles. Outro ponto que quero ressaltar é o quanto os personagens são reais, palpáveis, com conflitos, intrigas, situações que revoltam e que precisamos debater, como por exemplo a aceitação da mulher como uma profissional qualificada independente da profissão que ela escolheu. A nossa protagonista vive em um meio extremamente machista, sendo confrontada a todo instante, com dificuldades de liderar sua equipe, porque os homens se sentem ultrajados de terem uma mulher “mandando” neles. A forma como se referem a ela, a maneira como duvidam de suas escolhas, tudo vai sendo levantando ao longo dos capítulos - o que torna o final, ainda melhor.

"Eles não sabem se estão lidando com um assassino frio ou com alguém que matou involuntariamente num impulso de fúria: de qualquer maneira, parece cada vez mais improvável que o caso seja solucionado em três dias e incluído na estatística de sucesso de oitenta por cento."

Eu não posso entrar em muitos detalhes sobre a investigação, mas posso compartilhar com vocês que passado e presente colidem, e quanto mais escavamos a vida dos personagens mais chocados e ligados com eles ficamos. Karen é o tipo de protagonista que eu amo conhecer, ela é forte, determinada, inteligente, que não foge da luta e que segue seus instintos. Uma mulher poderosa, que ganhou meu carinho e me deixou ansiando pelos próximos livros da série que seguem tendo-a como detetive.

A edição da Faro Editorial como sempre é um presente a parte. O livro está lindo, com uma diagramação confortável e ótimo material.


PISTAS SUBMERSAS - Maria Adolfsson

Sinopse: Bem-vindo ao mundo único de Doggerland! Uma nação formada por grande extensão de terras, hoje, a maior parte submersas, das quais restaram apenas três ilhas, localizada em algum lugar entre o Reino Unido e os países nórdicos. É lá que Maria Adolfsson cria o cenário perfeito para uma história arrebatadora. Na manhã seguinte ao grande festival das ilhas de Doggerland, norte da Escandinávia, a detetive Karen Hornby acorda em um quarto de hotel com uma ressaca gigantesca, mas não maior que os arrependimentos da noite anterior. Na mesma manhã, uma mulher foi encontrada morta, quase desfigurada, em outra parte da ilha. As notícias daquele crime abalam a comunidade. Karen é encarregada do caso, algo complexo pelo fato de a vítima ser ex-esposa de seu chefe. O homem com quem Karen acordou no quarto de hotel... Ela era o seu álibi. Mas não podia contar a ninguém. Karen começa a seguir as pistas, que vão desenrolando um novelo de segredos há muito tempo enterrados. Talvez aquele evento tenha origem na década de 1970... Talvez o seu desfecho esteja relacionado a um telefonema estranho, naquela primavera. Ainda assim, Karen não encontra um motivo para o assassinato. Mas, enquanto investiga a história das ilhas, descobre que as camadas de mistérios daquelas terras submersas são mais profundas do que se imagina.

Ficha técnica:

Thriller nórdico | Maria Adolfsson | Doggerland, vol. 1 | Faro Editorial | 2020 | 1º Edição | 368 Páginas | Tradução: Fábio Alberti | Cortesia | Classificação: 4/5 | Onde encontrar: SKOOBAMAZONLIVRARIA CULTURA  - SUBMARINO

Até a próxima! Bye.

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