Oito Detetives – Alex Pavesi | Faro Editorial

Caros leitores, se inicio essa resenha de uma maneira diferente, é porque me deparei com um livro que pede isso, pois vai ser difícil falar sobre ele na estrutura que costumo dar as minhas resenhas. Oito Detetives, não me pegou inicialmente e isso se deu ao fato de eu não ter interpretado corretamente a sinopse, e eu preciso confessar isso, ainda que seja uma vergonha, para que talvez, você aí do outro lado, também não sofra deste mal. Não está entendendo, calma, já vou te explicar. Por enquanto só preciso ressaltar, o quanto este livro soou como um frescor no gênero, oferecendo algo diferente do que já tinha lido até então.

Grant McAllister, é um matemático, que com grande maestria, escreveu um artigo cientifico, examinando a estrutura matemática de romances de assassinato, ao qual chamou de As permutações da ficção policial. Embora modesta, sua pesquisa ganhou certa notoriedade na época, principalmente porque o gênero estava em alta. A pesquisa tinha por intuito, determinar matematicamente os limites dos romances de assassinato e aplicar essas descobertas a literatura. Como se o mesmo precisasse atender certos requisitos, para ser considerado um bom livro de romance de assassinato, e para provar sua tese, ele escreveu sete histórias, que apresentavam essas regras, ordens e possibilidades, como por exemplo – dois ou mais suspeitos, uma ou mais vítimas, um ou mais detetives, assassino/matador e por aí vai -, na época, ele chamou seu livro de Os assassinatos Brancos, o publicou de maneira independente em uma pequena tiragem com menos de cem exemplares. E por quase trinta anos, isso foi tudo. E é então que Julia Hart entra em contato com Grant, ela é editora de uma pequena editora chamada Tipo Sanguíneo, que tiveram acesso a um destes exemplares raríssimos e estão determinados a lança-los para um público mais amplo. Para isso, Julia se mobiliza para ir até uma pequena ilha remota, onde Grant tem vivido nos últimos anos, afim de preparar o material para publicação e conversarem sobre alguns detalhes.

“— Não aprovo finais felizes em histórias policiais.  — Agora, a cabeça dele estava recortada pela sombra. — A morte deve ser mostrada como uma tragédia, jamais como outra coisa qualquer.”

Por ter passado muito tempo sozinho, Grant possui dificuldade em se sentir confortável perto de Julia, que para ele é uma estranha revirando seus escritos e por consequência, tentando descobrir um pouco mais sobre sua vida. Mas o interesse de publicação, também é uma vontade dele, e por esse motivo, ele se esforça para oferecer todas as informações que ela precisa. Eles passam a trabalhar lado a lado, estabelecendo uma rotina puxada, onde Julia passa a ler cada história na integra junto com Grant, ao final de cada história eles conversam, e para o espanto de Grant, Julia se revela muito mais inteligente e perspicaz, capaz de captar inconsistências, pequenas falhas que soam propositais, a fim de testar o leitor, e pior que isso, ela ainda consegue traçar um paralelo, ou pelo menos tentar fazer parecer que Grant teria usado pequenos “easter eggs”, sobre um crime real em suas obras. E por mais que ele negue, sua curiosidade e desejo por encontrar algo ainda mais aterrorizante do que as próprias histórias que está lendo, faz com que ela siga investigando. E quanto mais ela lê, mais envolvida e em dúvida ela fica sobre a verdade por trás de Grant e seu grande talento.

Confesso, eu gostei muito desta leitura. OITO DETETIVES é uma viagem pelo desconhecido, te levando a desbravar as páginas do livro Os assassinatos brancos, e a pretensão do autor por trás de cada palavra escrita. Grant é um homem de meia idade, que vive sozinho em uma pequena ilha mediterrânea, e que até ser procurado por Julia, não havia pensado em republicar seu livro. Entretanto, o interesse da jovem pela obra, reacende essa vontade de ver o grande trabalho de sua vida alcançando um novo público. Sua pesquisa matemática foi um feito, e até serviu de anexo em seu livro, para “ensinar”, ajudar o leitor a compreender as nuances de cada história, o livro é composto por 7 histórias, e cada uma delas apresenta uma possibilidade diferente de um romance de assassinato. E essa dinâmica, onde lemos uma história e depois a analisamos junto com Julia e o autor, é muito interessante, primeiro porque Julia é muito sagaz, e ela passa a encontrar pequenas inconsistências, que o autor teria deixado e que realmente tinha passado e eu não tinha notado. Então eu seguia a leitura, desta vez mais atenta, tentando enxergar algo para poder me equiparar a personagem e mais uma vez, eu era surpreendida. E essa estrutura narrativa, ainda que seja diferente, e interessante ao mesmo tempo, demorou para me pegar, porque até eu entender o que a história estava propondo, eu fiquei com a sensação de estar lendo um conto, e logo em seguida a conversa dos personagens sobre este conto. E isso me incomodou. E como eu estava equivocada quanto a isso... mal eu sabia o que estava por vir e a genialidade disto.

“(...) Durante a escrita, você acrescentou alguma coisa a cada uma delas que não faz sentido. Um detalhe, uma discrepância. É como se todas pudessem se encaixar parar formar algum tipo de quebra-cabeça, com peças espalhadas pelas sete histórias. Você acha que isso seria possível?”

Provavelmente você não será tão desligado quanto eu, e eu estou aqui te avisando para que você entre nessa leitura e a aproveitei por completo. O livro é interessante, a história vai crescendo ao longo dos capítulos, os contos são inteligentes, as conversas entre a Julia e o Grant oferecem detalhes teóricos pertinentes para quem gosta do gênero thriller, e por mais que pareça não ser uma história linear, com um foco, ela é. E o final deste livro... Caros leitores, eu acredito ser difícil de você desvendar.

Só para deixar registrado, o meu conto preferido é, Um Inferno no Bairro Teatral... incrível de todas as formas.

Fica aqui essa dica interessante, com uma estrutura peculiar, porém muito interessante, e um final surpreendente. A Faro Editorial, fica todo carinho e gratidão, por um trabalho editorial maravilhoso.


Oito Detetives | Alex Pavesi

Sinopse: “PERFEITO PARA OS FÃS DE AGATHA CHRISTIE E SHERLOCK HOLMES!” Existem regras para mistérios em que há um assassinato. Deve haver uma vítima. Um suspeito. Um detetive. O restante é apenas embaralhar a sequência de fatos para enganar o leitor. O matemático Grant McAllister resolveu esse raciocínio para escrever sete histórias de detetive calculando as diferentes ordens e possibilidades. E, por trinta anos, essas histórias pareceram perfeitas aos olhos de todos. Agora, vivendo recluso numa remota ilha do Mediterrâneo, vendo a vida passar, ele é descoberto por Julia Hart, uma editora ambiciosa e esperta. Julia quer republicar o livro de Grant, mas nota muitos pontos inconsistentes, quase propositais. Aos olhos de uma profissional, parecem pistas de crimes reais... Ela decide investigar. Em uma batalha intelectual com um adversário perigosamente inteligente, Júlia percebe que há um mistério maior por trás dos livros... Grant deixou as pistas para conectar os livros ou assassinatos da vida real? Toda investigação parte de evidências. Mas, e se elas fossem disfarces de algo mais grave?

Ficha técnica:

Romance de assassinato, Suspense | Alex Pavesi | Faro Editorial | 2021 | 1º Edição | 288 Páginas | Tradução: André Gordirro | Cortesia | Classificação: 4,5/5 | Onde encontrar: SKOOBAMAZON

Até a próxima! Bye.

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